
Na Antiga 1, na casa de uma amiga, encontrei a extensão da minha família. Eu tenho saudade do cheiro daquela casa e chorei esses dias por isso: o pé de acerola que a gente quase não via, a bateria na sala, as visitas à geladeira de madrugada. Acompanhei a mudança para o condomínio e foi lá que fui batizada pra comemorar minha ida pra faculdade. Tenho lembrança da escola, de transformar uma goiabeira na amendoeira de Jeremias, de ter que dar conta de superar o luto de uma igreja dividida, de crescermos à sombra do pinheiro da Segunda Igreja… A gente estudou pra caramba, não?… E quando estávamos quase pegando no sono, surgia mais uma pergunta sobre Gênesis ou Apocalipse e aí nos perdíamos madrugada adentro. Foi com você que aprendi a gostar de ler.
Se eu fosse somar a quantidade de quilômetros que já andamos juntas! Certamente é bem mais do que eu poderia andar sozinha. Os mergulhos nas águas quentes de Goiás, as andanças em Brasília em busca de um banheiro, as ladeiras de BH, o abraço apertado em Londres, ver Paris do alto da Notre Dame, a sensação de estar perdida tarde da noite em Barcelona, trocar de roupa pra visitar o Vaticano, brincar no meio da fonte em Roma num dia tão quente quanto os nossos dias por aqui… Até que a gente se pega adultas, brincando nas ondas do mar do Rio, num stop de quase quatro anos desde a minha saída de casa, rindo como criança e tentando esquecer uma noite triste…
Eu sei que a saída da casa dos meus pais foi dolorosa pra muita gente e foi aí que tive que aprender a lidar com algumas ausências… Você me fez falta e ainda posso colocar a frase no presente. Depois de um dia de fazenda, um tempo depois de ter assumido minha relação, fui levar sua mãe em casa e tive um estranhamento em estar ali; tive receio em te encontrar porque a gente tinha se perdido na coisa de lidar com as diferenças. Era a mesma casa, mas já não éramos, em alguma medida, as mesmas pessoas.
Depois de alguns anos sem participar do seu aniversário, me surpreendi com o convite. Semana passada, já adultas, sentadas à mesa da comemoração e olhando para a sua família, me senti, de novo, em casa. Pude concluir, novamente, o que no ano passado te escrevi: “Penso no quanto a nossa amizade pôde…”. Ali, percebi que estamos ficando velhas, minha amiga, e que algumas das nossas respostas estão na partilha do Eterno, no abraço que acolhe as diferenças.
Amo vocês!
Gabi
So achei lindo, simples assim!!!!!!!
Oh, Cida, obrigada por compartilhar conosco! 🙂 Bora espalhar coisa bonita por aí! Obrigada! Beijos