Assisti alguns vídeos sobre No Fap (“não à punheta”) antes de produzir o meu com algumas discordâncias e há todo tipo de testemunho de sucesso no YouTube depois da não-masturbação, como: um moço que conseguiu falar Inglês, outro que começou a render mais no trabalho, outro que conseguiu estudar melhor e ainda outro que declara o óbvio, disse que tem mais vontade de transar com a namorada quando está sem se masturbar.
Nesse movimento, há a ideia de reter a energia sexual para assim gastá-la melhor, de forma mais produtiva. De forma simples no meu vídeo, ofereci algumas contribuições da Psicologia: expliquei que a energia liberada a partir do gozo é importante, que a gente precisa conhecer o corpo e ter prazer, que é possível usar a masturbação pra exercícios de rebaixamento de ansiedade e também expliquei que não seria desejável que a pessoa se tornasse refém da masturbação ou da pornografia. Mas há algo que não mencionei e que comecei a pensar por agora. Atenção pra frase que usei acima: “Nesse movimento, há a ideia de reter a energia sexual para assim gastá-la melhor, de forma mais produtiva.”
Não é interessante que até alguns minutos de prazer, numa esfera tão íntima, sejam uma ameaça à produtividade?… O mundo do trabalho, da produção, parece que tem nos pedido demais. O almoço rápido no cursinho, o último Iphone, a culpa por não falar Inglês, o tempo extra no escritório, as horas negligenciadas de exercícios físicos, a falta de tempo até no final de semana, um financiamento pra pagar a faculdade, a pós-graduação feita durante a madrugada, as mensagens de trabalho fora de hora… Tudo isso não é suficiente. Agora na onda do “se esforce mais” condenaram até as punhetas.
Pra quem conhece um pouco sobre saúde mental, esse é um discurso perigoso demais. Desconfio do pior: de uma religiosidade travestida de produtividade. A Damares e a igreja que ela representa vão adorar!
A pergunta que fica é: por quais razões você que está pensando em aderir ao movimento o faria?… De cá, também me preocupa a ideia um tanto mágica: troque isso por aquilo. De novo, um alerta de quem trabalha com saúde mental: se você fica tempo demaaaaaais na masturbação, talvez fosse o caso de conversar melhor sobre isso com alguém que possa, de fato, contribuir para que você amplie as possibilidades de prazer e de existência.
(Link para o meu vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=dwd_nUpuUzc&t=13s)
Eu concordo com suas reflexões, Gabi, sobretudo com sua desconfiança. Acho mesmo que esse movimento é uma tentativa de naturalizar um discurso religioso e moralista, fazendo-o passar por essa conservação de energia. A ilusão de produtividade está aí combinada com a ilusão de controle, como se nossas energias fossem completamente manipuláveis.