Sempre gostei de janeiros. Pra mim, significavam férias e a possibilidade do descompromisso, ou do compromisso único com a vontade de fazer o que desse na telha. Eu podia dormir até quando fosse, ou ver “As Panteras” e “O Incrível Hulk” na TV até entortar o olho, ou ir ao clube, ou não fazer nada, apenas pensar, a sós comigo mesma, como as incontáveis vezes em que eu nem via a hora passar, de tão solta nos meus pensamentos. Janeiro me oferecia a liberdade da ausência de tarefas. Nenhuma lista de equações, nenhum treinamento de conjugações verbais, nenhum nome de vulcão pra decorar. Era o mês de me sentir potente diante do tempo, que eu podia gastar como quisesse.
Claro, isso foi até a adolescência, porque aí o bicho-papão do vestibular fez janeiro desaparecer, levando consigo o descanso, a potência e a leveza do laissez-faire. Depois desse monstro comedor de horas, veio o trabalho e a vida adulta, que reduziram esse mês a um fôlego, a curtas viagens e à necessidade de colocar em dia um monte de coisas que os outros meses não permitiram acontecer.
Mas ainda gosto de janeiros. E hoje gosto mais, porque neles celebro a vida da Gabi e a vida com a Gabi. Fazemos aniversário de casamento no dia dezoito e ela faz aniversário no dia dezenove. Como não amar janeiro?
Apesar de a Gabi dizer que não gosta de aniversários (como toda pessoa que ainda não fez trinta, ela acha que está ficando velha!), eu quero louvar aqui a oportunidade de comemoração. Quero dizer que aniversários não servem pra se contabilizar o quanto estamos mais perto da suposição da morte, mas pra reverenciarmos o vivido, pra agradecermos as chances que tivemos de aprender. E de nos tornarmos melhores com o que aprendemos. Pra mim, a vida só faz sentido se a gente presta atenção nos detalhes e cata a poesia que nos é entregue neles. A poesia é que nos faz lembrar que o caminho é feito do nosso desenho e que, por isso, dá pra ser mais leve.
Então, quero dizer que desejo à Gabi que ela cuide pra que os olhos sempre brilhem, pelo que quer que seja. Esse brilho é o reflexo do encanto com a vida. Sem ele, a gente nem desenha o caminho. Quero que você, Linda, mantenha o seu vigor pras batalhas que haverá de enfrentar, vida adentro. E, se não ganhar todas, que você sinta orgulho de ter brandido a espada. Desejo momentos memoráveis, que alimentem a sua alma pra quando o presente parecer cruel. Desejo que você possa desfrutar de tudo o que construir.
E, claro, como eu também tenho um quinhão de desejo pra mim, já que é o mês do nosso aniversário, desejo que os seus janeiros se completem ao meu lado, felizes, felizes.
@larissagma
Adorei esse texto!
Obrigadaaaa, Murillo!!! 🙂 até quinta, haha! Beijo