Certamente a frase que falo e que a Larissa menos gosta é: “ Linda, dá uma catada nas suas coisas!”. A expressão “dá uma catada” é algo que a deixa, especialmente, muitíssimo irritada. Se bem que ela também DETESSSSTA quando digo, num tom de ordem: “Linda, vai tomar seu banho!”. Além do tom que uso, quase sempre uma ordem, o problema dessa frase está no “seu banho”. Acabei de sorrir enquanto escrevo porque sei o quanto ela detesta ouvir: “seu banho”.
Agora, me defendo, como em toda “boa” discussão: 1) Digo pra ela organizar as coisas (dela) porque, quase sempre, ela espalha mais coisas que eu e 2)digo pra ela tomar banho porque geralmente ela me atrasa ou se atrasa – essa última parte não deveria ser um problema meu, é verdade. Larissa sempre me rebate sobre o primeiro ponto: “Aqui tem gente viva!” Quanto ao segundo, ela só resiste e eu compreendi que, se não quero me atrasar, tenho que ir antes dela para o lugar destinado, sem estresse.
Não sei bem sobre o quanto, de fato, queremos igualar essas diferenças: é bom que a gente seja diferente e que nem tudo precise ser colocado imediatamente no lugar porque aqui, de fato, tem gente viva – concordo.
Ontem à noite mesmo, depois de dizer pra ela dar uma catada nas coisinhas dela deixadas pela casa, ela rebatou, irritou-se, ajeitou tudo, gentilmente me abraçou e, com um beijinho na cabeça, me disse de forma carinhosa e sincera: “Você é chata”. Rimos.
Aproveito, então, pra levantar alguns pontos (ou palpites): A) discussões ficam mais organizadas, mais fáceis de acompanhar e mais propensas a acordos quando a gente divide os assuntos e argumentos em pontos; B) coloquei “boa” discussão em aspas lá em cima porque a gente não precisa se defender nas discussões, a gente só deveria fazer um exercício de entender o que o outro está, de fato, tentando dizer; C) nem sempre precisamos concordar sobre tudo; D) nem tudo é problema seu e E) crie alternativas para evitar situações desgastantes. Mas, especialmente, avalie a letra “e” porque ser a pessoa que só exige ou que só cede também não é um indicativo muito saudável de uma relação.
Ah, dois últimos palpites: F) diga que o outro está sendo chato (ou grosseiro, ou bobo, ou qualquer outra coisa) com doçura e seja disponível pra ouvir isso sobre você porque, às vezes, faz bem, mas G) no final, abrace e, apesar do outro ser chato (como eu), o ame.
@gabifrancoal
Discussão muito interessante, simples e que nem sempre levamos a sério.
Singelo, simples, amei!!!!