Uma das perguntas mais comuns que recebo como professora de psicologia, é a pergunta sobre quais nomes se encaixam dentro da fenomenologia, da perspectiva existencial ou da psicologia humanista, respectivamente. Quando estamos estudando, a dúvida aparece: “Frankl era considerado de qual linha mesmo?…”
Já me adianto e te respondo. Frankl é fortemente existencialista e isso é um consenso. Por outro lado, ele também apresenta elementos na Logoterapia que parecem favorecer a ideia humanista de crescimento, ainda que não use os nomes “evolução” ou “tendência atualizante”. Dizer que ele é existencial-humanista, então, não é exatamente um consenso, mas você verá autores mais puristas da fenomenologia-existencial estabelecendo a pontuação de que ele não seria “exclusivamente” existencialista. Quem trabalha mais diretamente com a Logoterapia, por outro lado, ressalta que Frankl criticou fortemente o determinismo e, portanto, farão muita questão de deixar clara sua influência existencialista.
“Gabi, e qual sua posição?…”. Particularmente, entendo e o considero como um autor existencial-humanista. Honestamente, porém, acho necessário dizer que esse purismo de classificação não faz tanto sentido na prática clínica. Há um gasto enorme de energia numa sustentação pouco frutífera da epistemologia.
É válido lembrar que ao falar de fenomenologia, existencialismo e humanismo estamos falando de três movimentos (e objetivos) diferentes. Os autores da psicologia humanista estão escrevendo dentro do solo da prática clínica e de modo geral são influenciados pela fenomenologia enquanto método de produção do conhecimento. Portanto, o que você tem ao longo do tempo é uma “apropriação” das influências da fenomenologia e da filosofia existencial no trabalho da psicoterapia.
Muita gente acha que conhecimento é produzido apenas em grande escala, mas no trabalho clínico também estamos produzindo informações sobre a realidade e, portanto, a fenomenologia nos cabe como postura. Husserl, seu fundador, era matemático e tinha como pergunta justamente a questão do conhecimento: “Como conhecemos as coisas?…”
Para saber mais sobre isso, recomendamos fortemente nosso vídeo (clique aqui) sobre as aproximações e diferenças desses três movimentos.
Em aulas, costumo fazer o seguinte desenho:

Uma sugestão de estudo é datar o guarda-chuva. Entender a cronologia te dará uma melhor noção sobre quem incorpora “o quê”.
Se quer dar um salto rumo à prática clínica e ver aspectos básicos do campo teórico em interlocução com o fazer do terapeuta, conheça o nosso curso Clínica da Existência. Nele deixamos tudo mastigadinho e você pode ouvir sete situações clínicas supervisionadas na interlocução teórico-prática (clique aqui).
Bons estudos =)